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O CONDOR

O CONDOR

O PEQUENINO

                                         

Ao princípio era o verbo, um verbo-de-encher.

Macambuzio, não porque lhe faltasse vontade de dizer, mas a língua era grossa e os sons guturais eram quase imperceptíveis.

O tempo, o maior aliado dos inúteis passa, o verbo desenvolve-se e acumula maldade e desprezo pelos seus semelhantes.

Ele machucha e matuta cobras e lagartos, sonha criar uma sociedade à sua imagem, fechada, onde a sua vontade seja lei e o látego a justiça, falha tentativa após tentativa, não consegue que a porta da rua deixe de ser a serventia da casa. Por onde passa não deixa saudades, olha para baixo com desprezo e para cima com o rabo entre as pernas.

Escriba de margens, ainda não percebeu que de montante para jusante a margem esquerda é a margem direita de jusante para montante, mas isso para ele não tem importância, dá-se bem em todas as margens, por isso o puseram à margem e passou a marginal.

De facto, já há muito tempo que na latrina onde chegava às 11 e saía às 13  regressando às 16-30 e saindo às 18h o ar se tornara irrespirável, fedia a merda, ainda bem que houve alguém com coragem para puxar o autoclismo e o dejecto malcheiroso foi esgoto abaixo e o ar insalubre desapareceu.

Mas O Pequenino é teimoso e matreiro, pendura-se em tudo, faz a viagem ao oráculo de Delfos, pede apoio ao sacerdote, que sem o olhar nos olhos, o aconselha depois de ler as entranhas de um cabrito minhoto que matara e que depois de cozinhado, devoram na companhia dos seus trolarós  conselheiros.

 Pequenino, diz o sacerdote: -

Os deuses estão contigo e nós também, mas temos que ter cuidado teremos que usar as armas todas, a mentira, a ameaça e se necessário for o insulto:- concordas?

Claro que o Pequenino concorda, o que é preciso é ter corda e muita se possível para o boneco andar. O sacerdote oferece-lhe um burro e diz:

- Pequenino, aqui tens uma oferta dos Deuses, este burro a que darás o nome de Acéfalo, não tão acéfalo como tu claro, será a montada que te levará de regresso ao teu país e à vitória sobre os persanas.         

Viu-se grego mas chegou.

As falanges estão devidamente treinadas, há mais de dois anos que a lavagem cerebral dos soldados vem sendo efectuada pelo sacerdote mor e seus trolarós,

O tempo passa e o Pequenino burriqueiro não chega para comandar as forças no terreno, o sol vai alto e começa a deslumbrar os soldados. No cimo da colina o general persana espera, as suas hostes têm o sol pelas costas, estão serenas e coesas.

São 11h e eis que ao longe se vislumbram dois asnos, é muito difícil saber quem monta quem, os soldados desertam, juntam-se ao general persana, apenas resta um punhado de fiéis que encolhe os ombros e perguntam ao Pequenino:

- Só agora, sabes que horas são? O Pequenino responde:

- Eh pá, estive numa discoteca a por discos num baile de gravata, apanhei uma bezana e estive a coze-la. Vós tereis que compreender que eu tenho vida para além desta guerra.  

Uma história que parece de ficção; será?

 

Maio Vermelho.

 

 

 

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