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O CONDOR

O CONDOR

ENTREVISTA AO REDATOR E EDITOR DO BLOG "O PALHEIRO",FRANCISCO CARDOSO SEGUNDAPARTE

 

MV- TF, Que se passou após as Eleições Autárquicas de 2013?

                    Meu caríssimo amigo, a partir daqui, entendo que me não deve tratar mais por Tio Fagundes, pois o blog “O PALHEIRO” terminou, cumpriu a sua missão, e, não devo esconder-me de trás de um pseudónimo. Gostaria que a partir daqui me tratasse como Francisco Cardoso, que é o meu nome e assumirei todas as responsabilidades pelo que entender responder às suas perguntas, Apenas lhe peço para não me perguntar nada sobre a vida privada de ninguém, porque se o fizer não lhe respondo e termino de imediato a entrevista. Para facilitar a nossa conversa, pode tratar-me por FC que são as letras iniciais do meu nome.

                    MV - Muito bem, assim farei. Então Sr. FC o que aconteceu depois das Eleições Autárticas

                    FC - Algum tempo depois das eleições, procedeu-se à eleição da Comissão Politica Concelhia do Partido Socialista. Nessa altura faltavam pouco meses, para que o Sr. Presidente, segundo os novos estatutos, não se pudesse recandidatar, no entanto aproveitou esse tempo para o fazer de novo e assim ficar mais quatro anos na presidência da concelhia. Convidou-me para pertencer à Comissão Politica, reusei invocando a minha avançada idade, 71 anos, ele insistiu.

Depois de ter ouvido uma conversa onde desancavam no Borges da Silva, no meu camarada e amigo Sousa, na vereadora Sofia Relvas e rezavam avés pelo vereador Alexandre Borges, dizendo que era preciso protege-lo, não sabendo eu de quê, como não confiava no recandidato Adelino Amaral decidi aceitar, Sou o décimo quinto elemento da Comissão Política do P.S. Nelas. Só que para azar de Adelino Amaral, o meu voto na comissão política vale tanto como o dele. Talvez por isso, é que as reuniões da comissão politica, nunca discutiram nenhum problema do município e limitavam-se a discutir o sexo dos anjos com a condição que os anjos não fossem Borges da Silva ou a vereadora Sofia Relvas.

                 MV – qual era o seu conhecimento e a sua análise política da equipa do Partido Socialista que ganhou as eleições para a Câmara em 2013?

                FC – Eu apenas conhecia politicamente Adelino Amaral nos sete anos à data das eleições autárquicas de 1913. Conhecia José Borges da Silva desde jovem, quando pertenceu a Juventude Socialista e mais tarde no Partido. Não conhecia a Sofia Relvas, o Alexandre Borges era o conhecimento de vizinho, bom dia, boa tarde, como está passou bem.

               Não tinha em Adelino Amaral qualquer confiança política. Recusou-me várias vezes documentos que lhe pedi, para fazer trabalho partidário, quando concorri contra ele na eleição para a comissão política de 2008, até a lista de militantes me negou, consegui obtê-la através do Presidente da Comissão Politica Distrital, José Junqueiro

              Teve conhecimento que aceitou que os vereadores da coligação pagassem cotas atrasadas de militantes do Partido Socialista, com a recomendação de votarem na sua lista. Num universo de 86 militante não achou estranheza nenhuma, que votassem 83, não tendo votado o Adrião por estar gravemente doente, a esposa que estava a tratar dele e um outro que não recordo o nome, por nesse dia não estar em Nelas. A partir de 2008 apercebi-me que Adelino Amaral estava no P.S não para liderar o partido mas para cumprir uma missão. Ainda hoje tenho essa convicção

              De Borges da Silva, conhecia sua garra juvenil de ser alguém no partido, conhecia a sua disposição para a luta e alguma pressa para se afirmar, conhecia a sua coragem de ter batido com a porta. Hoje reconheço que o responsável pela saída dele do Partido Socialista fui eu. Eu era o secretario coordenador da secção do P.S. Nelas em 1993, logo o responsável pela feitura das listas. Ofereci-lhe o 4º lugar na lista da Assembleia Municipal, ele queria ser o cabeça de lista e eu não concordei, pois o lugar tinha-o reservado para Rui Neves que havia regressado de Macau.

              Estou arrependido, troquei um guerreiro, por um individuo de boas maneiras, muito educadinho, mas sempre um, Sim Senhor  Ministro

             De Sofia Relvas apenas sabia que era filha de um amigo meu, não a conhecia.

            De Alexandre Borges, constava-se em Canas de Senhorim, que fora apoiante do MRCCS até 2008 ou 2009 e as suas convicções políticas eram muito próximas do BE. Se eram, ou não, não sei. Sei que era uma figura pouco simpática e que elegeu para seu inimigo figadal Luís Pinheiro. Nunca percebi o que por aquela cabeça passava, porque eu na política nunca tive inimigos mas sim adversários, entristece-me quando vejo picardias nas pessoas só porque pensam de maneira diversa

             MV - Como viu os primeiros meses do mandato do PS?

              FC - Os primeiros meses de mandato, relacionei-os muito com os do primeiro mandato do PS de José Correia. Borges da Silva atacou de imediato o desemprego e a pobreza, muitas vezes encapotada. o ter conseguindo trazer para o concelho algumas empresas o novo Presidente deu esperança aos cidadãos do Município.

              Nas outras frentes; na frente ambiental, fez e continua a fazer  esforços hercúleos no sentido de o Município de Nelas ser um Município limpo e agradável de viver, na frente financeira todos sabemos o estado calamitoso que Isaura Pedro deixou as finanças municipais. Um Município intervencionado, com uma divida muito perto dos 16 milhões de euros, um IMI no topo da tabela, a tesouraria com meia dúzia de euros e pagamento aos fornecedores a 8 ou 9 meses após fornecimento. Hoje o panorama é bem diferente, segundo informações que tenho o IMI vai baixar em 2017.

             Quanto ao vereador Alexandre Borges, um dia perguntei a um grupo de funcionários superiores como é que ele ia nas novas tarefas que tinha. Fiquei muito satisfeito, pois a opinião do grupo foi unânime; O Sr., Dr. Alexandre está a fazer um trabalho muito meritório e é muito competente no que faz. Um dia em conversa com o pai disse-lhe: - Então Dr., Parece que temos homem, segundo informações que tenho o rapaz vai longe.

              Da vereadora apenas sabia o que o meu amigo Sousa me dizia:

              -É uma moira de trabalho.

              MV - Então como se explica este confronto politica dentro do PS?

               F.C. - Para quem está de fora, dá-lhe a impressão que este desaguisado político apareceu nos últimos tempos entre Adelino Amaral e Borges da Silva; Ora isso não é verdade, logo a seguir á eleição da Comissão politica o Sr. Presidente teve num desabafo pouco próprio numa reunião, dizendo que não escolhera o meu amigo Sousa para a lista, porque ele era o homem de mão do Presidente da Câmara de quem dizia obras e lagartos como: “ O gajo” quer dominar o partido por intermédia pessoa. Não tenho dúvida que Adelino Amaral teve uma grande derrota nas Eleições Autárquicas de 1913, porque nunca viu com bons olhos a candidatura de Borges da Silva, jogou na sua derrota e perdeu,

             MV – Mas não foi o presidente da Comissão Politica do PS, Adelino Amaral, que fez o convite a Borges da Silva para cabeça de lista á Câmara do PS?

              FC - Aí e que está o busílis da questão, o Sr. Presidente da Concelhia convidou o Dr. Borges da Silva a contragosto, ele foi incumbido pelo plenário de militantes, de convidar o dito cabeça de lista, e, de outros assuntos relacionados com a lista a apresentar aos eleitores. Convidou o cabeça de lista e deixou que as coisas corressem. Deu pouco ou nenhum apoio ao processo eleitoral, o que não se pode dizer de outros militantes não tivessem sido inexcedíveis no apoio à campanha. Na parte que me toca, eu e a minha família estava-mos a passar um mau bocado no que dizia respeito à saúde familiar, apenas fui apoiando com o blog “O PALHEIRO”.   

             MV - Esclareça-me se possível onde é que o vereador Alexandre Borges entra nesta confusão.

             FC - O Sr. Presidente da Concelhia foi sempre muito hábil na interpretação dos estatutos, dos quais tinha uma brochura que nunca a partilhou com ninguém. Segundo os estatutos na Comissão Politica Concelhia quando o Partido detém o poder, têm assento por inerência, o Presidente da Câmara e o Presidente da Assembleia Municipal.

                       Alguns meses depois das eleições, em conversa com o vereador Alexandre, propus-lhe que se inscrevesse no P.S. como militante, pois os actuais dirigentes estavam a ficar idosos, era necessário que gente nova com novas ideias se inscrevessem, era preciso sangue novo para fazer o partido andar para a frente.

                       Disse-me que ainda era cedo, que era necessário consolidar o poder e depois então sim. Qual o meu espanto, na reunião da Comissão Politica duas semanas depois, Alexandre Borges, estava presente, pois já era militante do partido mas para guardarmos segredo, pois era preciso protege-lo, e como era o Vice-Presidente da Câmara estava ali de pleno direito porque o presidente da Câmara não era militante. Não pus entraves, mas a pulga começou a morder-me a orelha;

                    -Ora se eu há mais ou menos duas semanas o tinha convidado para aderir ao partido e ele condicionara a sua inscrição no tempo, como é que ele já estava ali sentado como militante de pleno direito? Só podiam ter acontecido três coisas: - o homem entrara secretamente no partido, pela porta das traseiras, como diz o sábio povo, pela porta do cavalo, a divisão da comissão politica iria começar e a lança de Adelino Amaral na Câmara iria ser o vereador Alexandre

                  MV- Segundo o que diz, o Sr. Adelino apoiou-se no vereador Alexandre, na Comissão Politica para fortalecer a sua incompatibilidade com o Presidente da Câmara?

                  FC - Nos primeiros tempos o Vereador ainda foi pondo água fervura, mas a certa altura radicalizou o discurso e já berrava mais alto que Adelino Amaral. A Comissão Politica dividiu-se em dois blocos um minoritário que apoiava Borges da Silva e outro maioritário que apoiava o Presidente da Comissão Politica.

                  MV – Mas no último Congresso Nacional do PS não foi aprovada uma moção que os presidentes de câmara e presidentes de junta, que estivessem dentro da lei de recandidatura, isto é, que tivessem apenas um ou dois mandatos seriam candidatos ás autarquias a que presidiam?

                 FC - Pois assim foi, mas a “ inteligência” do Presidente da Concelhia do PS entendeu, que ele é que mandava, tal qual capataz de quinta e a deliberação do Congresso Nacional, não se aplicava em Nelas.

                MV – Constou-se que Adelino Amaral reuniu a Comissão Política, mais ou menos em Maio, para decidir retirar o apoio a Borges da Silva e eleger uma outra pessoa para candidato?

                 FC - De facto fui convocado para uma reunião para esse efeito, já não me lembro para que dia de Maio, depois fui desconvocado, tornei a ser convocado, novamente desconvocado e mais uma vez convocado; acabei por não ir a essa reunião nem sei o que se lá passou, parece-me que houve uma moção votada por 19 = 0, quando a Comissão Politica é constituída por 15 elementos efectivos e outros tantos suplentes. Pelo menos 7 elementos efectivos não estiveram presentes e como não tenho conhecimento que quaisquer membros tenham pedido suspensão temporário do mandato, por isso a votação não é legal e portanto não pode ter efeito, nem nenhum dos membros que esteve ausente foi informado do resultado da moção.

               MV - Sabe qual o motivo, pelo qual Borges da Silva exonerou o Vereador Alexandre Borges das suas funções de Vereador a tempo completo. 

              FC – Eu penas sei o que é do domínio Público. Segundo parece o Alexandre Borges, de peito cheio com a moção aprovada na Comissão Politica fantasma, entrou no gabinete do Presidente da Câmara e depois de uma altercação disse: - Sr. Presidente não conte com o meu apoio para a sua reeleição. Como não acompanhou o bafo com um pedido de demissão da vereação do Município, como o vereador a tempo completo é nomeado pelo Presidente Câmara como um elo de confiança politica, o elo quebrou-se a exoneração do vereador é de imediato o caminho a seguir, a porta da rua é a serventia da casa.

          MV - O que pensa da situação de exoneração.

          F.C. - Não gosto de deliberações radicais, mas neste caso, penso que pecou por ser tardia.

          MV – Agora o que vai o FC fazer.

          FC - Vou terminar o meu mandato na Comissão Politica depois chinelas, ler, escrever, brincar com a minha neta e trabalhar se for possível.

         MV – Muito obrigado por esta entrevista

         FC  -  Não tem de quê,

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